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            Um grupo de pessoas age de forma diferente do que cada indivíduo do grupo o faria se estivesse sozinho, seja pela criação de comum acordo de quais ações devem ser tomadas pelo todo, ou talvez o efeito da espiral do silêncio. Quando se toma um grupo como agente de uma obra participativa, não estamos lidando com a soma das ações individuais de cada um, mas sim com a inteligência coletiva do grupo. Henry Jenkins (2006, p. 28) empresta o termo “inteligência coletiva”, cunhado por Pierre Lévy, para falar sobre consumo de mídia como um processo coletivo, onde a soma dos conhecimentos é compartilhada, e o conhecimento individual passa a ser a soma do conhecimento experenciado com o conhecimento compartilhado, em um ciclo que modifica as relações entre produtores e consumidores.
“Em vez de falar
sobre produtores e consumidores de mídia como ocupantes de papéis separados, podemos agora considerá-los como participantes interagindo de acordo
com um novo conjunto de regras, que nenhum de nós entende por completo.” (Jenkins, Henry. 2006, p. 28)
          Isso também significa que, caso o grupo como um todo assim decida, uma obra participativa pode ser estragada por diversos ângulos possíveis. No livro Arte e Interatividade, Júlio Plaza (2013, p.16) conta sobre como
“grande parte das obras expostas na IX
Bienal de São Paulo (da qual participamos em 1967), dedicada dominantemente à ‘arte de participação’, terminaram no lixo devido aos estragos e excessos de participação do público. Desde então, a ‘arte de participação’ ficou datada no imaginário do consumidor de arte brasileiro.”
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