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            Não. Aarseth está em seu livro defendendo a ideia de um cybertexto, ou literatura ergótica. Sua maior preocupação está em aprofundar a ideia de não linearidade de um cybertexto, ou mesmo da multilinearidade dele. Definições como a de Andersen prejudicam essa perspectiva, e prejudicam também a ideia de que webcomics podem ser consideradas interativas, uma vez que os quadrinhos de Ms Paint Adventures podem ser considerados cybertextos. Na busca pelos diferentes conceitos de interatividade que permitem trabalhar a ideia de literatura ergótica, Aarseth cita diversos autores, e parece discordar de cada um deles, em maior ou menor grau. Um desses autores é Andrew Lippman (1997, p. 49) citado por Brand (1988, p. 46), que define interatividade como "Atividade mutual e simultânea por parte de ambos participantes, normalmente trabalhando para um mesmo objetivo, mas não necessariamente”.
         Aqui Aarseth escrutiniza a escolha da pala “mutual”, que se torna problemática quando a interatividade se dá no contexto de um meio virtual, dando a entender que “interatividade entre humano e máquina só pode acontecer se a máquina estiver consciente da situação” (1997, p. 50. Tradução nossa). Dentro de um contexto de narrativas virtuais, a palavra “simultânea” também se torna problemática, assim como a frase “ambos os participantes”. Para propriamente defender narrativas virtuais como interativas, precisamos de uma definição que aceite que é possível a ação ocorrer de forma não simultânea, e que poderá haver mais de dois sujeitos envolvidos.
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