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      Homestuck, assim como outras narrativas virtuais, é uma obra hypermidiática. Para consumi-la é preciso ler, assistir, jogar e navegar por outros sites. Dessa forma, palavras já estabelecidas como leitor, espectador e jogador não contemplam o que significa ser consumidor de uma narrativa virtual. Para melhor compor essa imagem de consumo ativo e flexível, que requer diferentes formas de atenção e resposta, chamarei aqui de websurfistas – surfistas virtuais – aqueles que consomem esse tipo de narrativa. O termo é baseado na forma como pular de aba em aba e janela em janela em um navegador na internet é chamado de surfe. Entende-se aqui que a relação entre consumidor e obra abrange o ato de navegar na internet como intrínseco à experiência da obra em si, e que a consciência por parte do websurfista das capacidades e limitações do meio tecnológico mediado são fundamentais para a criação de um sujeito-navegador, ou sujeito-websurfista. A ideia não é diferente da já elaborada pelos teóricos do cinema sobre como estar numa sala escura diante de uma tela grande é o que permite a percepção de um sujeito espectador de cinema, que é diferente de um sujeito espectador de televisão. Emprestamos aqui as concepções de sujeito-EU e sujeito-SE, elaboradas por Couchot (1998), citadas por Arlindo Machado (2001, p. 5), onde a obra estar vinculada a uma máquina, com respostas à ações por parte do interator previamente programadas, geram neste um novo senso de sujeito, que se porta diante da obra de forma diferente da do espectador ou leitor.
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